Papo de Fotógrafo Podcast

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Rafael Petrocco

Medicina não é hobby!

13 de junho de 2014
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É cada vez mais comum, encontrarmos novos profissionais na área de fotografia. E também, é muito comum, ouvirmos de outros fotógrafos, as lamentações e a famosa frase: “Se eu comprar um bisturi, me torno médico?!”.

Realmente, tenho que concordar, que um bisturi não transforma ninguém em médico, assim como nenhuma ferramenta transforma alguém em alguma coisa. Mas discordo totalmente da comparação FOTOGRAFIA X MEDICINA. Acho uma prepotência enorme da nossa parte comparar uma profissão que tem como objetivo salvar vidas com a de poder registrá-las (salvo algumas exceções em que a fotografia pode salvar vidas de outra maneira).

Eu tenho outra opinião sobre o assunto.

No meu mundinho (minha cabeça), eu compararia a fotografia a uma atividade física (corrida, futebol, vôlei, etc). Por que? Me uso como exemplo. Toda terça-feira, as 20h, eu jogo futebol com os amigos, cada um dos 20 jogadores são diferentes, e dão prioridades diferentes, seja ao esporte quanto ao equipamento (chuteiras, caneleiras, shorts) e cada um tem uma habilidade. Nesse caso, ter a melhor chuteira, usar caneleira e ser (ou não) habilidoso, não quer dizer que eu seja um jogador profissional. Até aí a comparação com a medicina seria a mesma, a não ser o fato de que, NINGUÉM É MÉDICO POR HOBBY. Você não pode ser um médico de final de semana, um médico amador, ou você é formado em medicina ou não é! Ah, e nem todo médico usa bisturi, só para informação.

Já na fotografia, e também no esporte (no meu caso o futebol), nós podemos ser Amadores, Iniciantes e/ou Profissionais. Simples! Se eu comprar uma bicicleta para andar de final de semana somente para praticar uma atividade, eu me torno um ciclista, certo? Então, se eu comprar uma câmera para fotografar minha viagem no final de semana, me torno fotografo? Pelo menos eu, Rafael Petrocco, acho que sim!

É a partir desse momento que eu acredito que haja uma separação. Existem categorias que diferenciam o fotografo amador do profissional, como no futebol. Os AMADORES tem uma profissão de onde tiram seus salários ou dedicam a maior parte do tempo, enquanto, os profissionais se dividem em INICIANTES, pessoas que decidiram que a fotografia (ou futebol, escolham a analogia que gostarem mais) será sua profissão, e começam a dedicar mais tempo e energia a ela, e os PROFISSIONAIS, aqueles que a fotografia é o seu ganha-pão.

Não vejo problema nenhum em alguém adquirir uma câmera e querer ser fotógrafo. Desde que ela realmente leve a sério, estude, ofereça o melhor e cobre o valor adequado para isso, pois acredito que se não forem levados em consideração esses itens, o “new-professional” vai sair do mercado do mesmo jeito que entrou, apenas com uma boa câmera na mão. E se o hobby se tornou algo sério, leve adiante, afinal, dizem que: “Quem trabalha com o que gosta, não trabalhará nenhum dia!”.

E quantos de nós não começamos a carreira de fotógrafos por hobby, ou por uma paixão passada de geração para geração … Está na hora de pararmos com o mimimi, de acreditar que todos os fotógrafos são concorrentes, que vão prostituir o mercado. É hora de incentivar o crescimento e a valorização do mercado, buscar e mostrar o diferencial do nosso trabalho, dividir experiência e conhecimento, crescer, pessoalmente e profissionalmente. Lembre-se, até mesmo os grandes mestres tiveram seus professores, e com certeza os professores se orgulham de terem ensinado aos grandes mestres.

Agora preciso ir, preciso comprar um estetoscópio para ouvir o coração de algumas pessoas nesse final de semana … Só por hobby!

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