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Canon EOS Rebel T6s: onde, quando e, principalmente, por quê?

26 de fevereiro de 2015
t6s

No artigo passado, eu defendi o motivo pelo qual a Canon acertou ao lançar a EOS 5DS/5DS R como uma nova linha, e não no lugar da EOS 5D Mk III. Agora, é a vez de questionarmos um dos lançamentos pré-CP+: o de uma nova EOS Rebel, mais especificamente a Rebel T6s.

A Rebel T6s é uma câmera intermediária, que sentará na escala da Canon entre a mais nova Rebel T6i (substituta da Rebel T5i) e a já veterana EOS 70D. A questão que fica aqui é: será que as linhas já não estavam bem definidas para a Canon considerar que a adição dessa câmera seria um erro? Ou então, que tipo de público ela percebeu que não conseguia atender suas necessidades escolhendo ou uma Rebel (T6i) ou uma 70D, e que precisava de mais uma opção?

Resumidamente, a Rebel T6s pode ser considerada uma T6i “boladona”: é pouco maior, aparentemente mais robusta, possui um LCD superior – que mostra informações como velocidade de disparo e abertura da lente -, um dial de comando rápido traseiro e AF Servo no live view. Ou seja, ela é uma Rebel com alma de 70D – e esse talvez seja o maior problema dessa câmera: ela é uma Rebel.

A linha Rebel da Canon sempre foi conhecida por trazer câmeras de qualidade, com facilidades para seus usuários – independente de saberem fotografar ou não. Quer pedir para uma senhora aleatória fazer uma foto sua no aeroporto? Joga na posição retrato e fala pra ela “é só enquadrar e bater”. Voilá, a foto está feita, sem o mínimo de esforço – e provavelmente a senhora para quem você pediu nunca nem mexeu em uma DSLR. Esse é o principal motivo pelo qual essa linha é relativamente bem sucedida comercialmente: ela não foi pensada apenas em pessoas que já fotografam, mas sim em pessoas que querem ter como hobby a fotografia, sem grandes pretensões.

O problema da Canon é a confusão que a marca fez ao longo dos anos com a série Rebel – confusão iniciada em 2008, com a entrada da Rebel XS, uma alternativa ainda mais simples – e barata – da Rebel XSi. Após a Rebel XS nós ainda tivemos a Rebel T3 e, atualmente, a Rebel T5, todas seguindo a mesma fórmula: uma versão simples da câmera que já era simples por si só. Em 2013, a Canon não satisfeita em já ter duas linhas de Rebel, incluiu mais uma linha: a EOS SL1, uma DSLR menor – tanto em volume quanto peso -, em uma tentativa de combater o crescente mercado de mirrorless, cuja maior vantagem  é o tamanho reduzido.

Quer recontar? Vamos lá: até o final de 2014, a Canon possuía em linha três diferentes Rebel: a T5i, considerada a top de linha; a SL1, uma versão reduzida da T5i; e a T5, uma versão mais simples da T5i. Entendeu a confusão? Você tem, basicamente, três câmeras iguais, com diferenças pequenas entre elas. Avançamos no tempo e aqui estamos: a Rebel T5i saiu de linha, sendo substituída pela Rebel T6i, e… uma outra Rebel, a T6s, sendo lançada junto, para um público relativamente mais avançado. E agora, com isso, temos quatro Rebel, com diferenças ínfimas entre elas.

Convenhamos, será que realmente existe uma fatia de mercado que não é entusiasta o suficiente pra usar uma EOS 70D, mas também não é amadora o suficiente para ser atendida por uma Rebel T6i? Será que realmente existe uma lacuna nesse meio que tem que ser preenchida, ou a Canon está especulando uma lacuna que não existe, torcendo para que ela exista ao longo dos próximos meses?

A resposta, meus amigos, só o número de vendas da Rebel T6s é que vai trazer.

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