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Resenha: Canon EF 50mm f/1.8 STM

13 de agosto de 2015
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Quando a Canon anunciou a nova versão da sua famosa cinquentinha, muitas pessoas me perguntaram se, de fato, valeria a pena adquirir uma – seja por ser a primeira 50mm que iriam adquirir, ou uma troca por alguma outra 50mm que já fazia parte de seu kit.

Pensando nisso, quando a Canon do Brasil me convidou para conhecer a nova objetiva EF 50mm f/1.8 STM – que foi lançada esse mês pelo valor de R$599,99 -, eu aceitei. E esse artigo é justamente uma resenha dessa objetiva, que com sorte pode te ajudar a responder todas as suas dúvidas.

Pra começo de conversa, muitos devem ter se perguntado o motivo pelo qual a Canon resolveu lançar uma substituta para a best-seller EF 50mm f/1.8 II – afinal, se ela é uma lente barata e que vende, por que mexer? E, bem, a grande verdade é que hoje a mentalidade é outra: é preciso se atualizar, e nesse ponto a antiga cinquentinha é bem ultrapassada.

A EF 50mm f/1.8 STM em uso com a 5D Mk III. Foto tirada com abertura f/2.8

A EF 50mm f/1.8 STM em uso com a 5D Mk III. Foto tirada com abertura f/2.8

A começar pela construção da objetiva, que é o ponto mais elogiável dessa objetiva: se comparada ao modelo anterior, ela está infinitamente melhor construída. O encaixe da objetiva voltou a ser de metal, e não aparenta ter uma base de plástico por baixo. O primeiro elemento da objetiva não parece mais dançar e ela ganhou um novo diafragma, de sete lâminas (o que garante um desfoque mais uniforme e bonito) e a possibilidade de fechar até f/22 (contra f/16 da versão anterior). Apesar de ser uma objetiva melhor construída e menor que a antecessora, a nova cinquentinha da Canon não é mais leve.

Canon EOS 5D Mk III com a objetiva em f/6.3

Canon EOS 5D Mk III com a objetiva em f/6.3

O motor de autofoco da nova EF 50mm f/1.8 STM é o chamado motor Stepper, de tecnologia lançada em 2012 e otimizado para vídeo. Ou seja, ao contrário da antiga versão – que utilizava o motor DC, bem barulhento – essa nova objetiva não fará barulho ao focar – na verdade faz, mas é imperceptível em locais com um mínimo de barulho… – , seja em fotos ou vídeo (caso seja utilizada em alguma câmera com a tecnologia de Movie Servo AF, como é o caso das Rebel T5i e 70D). Entretanto, isso vem com um ponto que pode ser negativo para alguns: esse motor, por ser completamente eletrônico, é alimentado pela bateria da câmera. Ou seja, não existe, de fato, um anel de foco mecânico na objetiva – e mesmo para fazer foco manual a câmera precisa estar ligada, o que, consequentemente, significa que ela gasta mais bateria. Além disso, pelo anel de foco ser controlado eletronicamente, a focagem manual sofre um pequeno delay se comparada com outras objetivas que, de fato, possuem um anel de foco mecânico. Mesmo assim, o autofoco se mostrou extremamente preciso e, de certa forma, rápido. Se utilizada em alguma câmera que tenha um sistema de AF mais aprimorado que o da 5D Mk III – como a 7D Mk II ou a 1Dx – essa objetiva provavelmente terá um AF mais rápido e preciso ainda.

Lorena. Foto feita com a 5D Mk III e f/2.

Lorena. Foto feita com a 5D Mk III e f/2

Em termos óticos, a objetiva é fator de muita discordância entre os fotógrafos e videomakers: como o conjunto ótico continua o mesmo (6 elementos em 5 grupos), muitos discordam de que haveria uma melhoria ótica em relação à versão anterior da lente. Meu veredito? Há, sim, uma melhoria – mas essa melhoria só é percebida, de fato, na fotografia digital, graças à nova versão do Super Spectra Coating. A nova versão garante menos flare e ghosting na imagem, além de uma menor aberração cromática, o que, consequentemente, aumentam a sensação de nitidez da objetiva.

Combinação de flash + luz natural do local. Objetiva em f/2.2

Tamires. Objetiva em f/2.2 com 5D Mk III e combinação de flash + luz natural

Outros pontos a se considerar:

  • A distância mínima de foco dessa objetiva é de 35cm, a menor dentre todas as 50mm não-macro disponíveis para Canon;
  • O diâmetro de filtros dessa objetiva é de 49mm, e o parassol original é de encaixe (contra o parassol de rosca da versão anterior). Se for complicado encontrar filtros do diâmetro de 49mm, uma ótima alternativa é o uso de um anel de step-up 49mm – 52mm, que trará uma gama bem maior de filtros para serem utilizados com essa objetiva;
  • O primeiro elemento da objetiva não gira junto com o foco, o que permite o uso de filtro polarizador circular;
  • Essa objetiva apresenta uma vinheta bem característica, devido a design ótico que possui. Entretanto, tanto a Canon quanto a Adobe já liberaram perfis de correção, o que torna o trabalho mais fácil no caso de corrigir. Caso você não queira corrigir de forma digital, saiba que o ápice da vinheta ocorre em f/1.8 e vai diminuindo gradualmente até f/4, quando some completamente;
  • Essa é a primeira 50mm f/1.8 da Canon a apresentar o sistema full-time manual focus. Para utilizar, basta girar o anel de foco da objetiva, desde que você esteja com meia pressão sobre o botão disparador.
O mesmo Chevette lá do começo, agora em f/1.8. Foto em conjunto com a 5D Mk III

O mesmo Chevette lá do começo, agora em f/1.8. Foto em conjunto com a 5D Mk III

Normalmente, a 50mm f/1.8 é uma objetiva tão popular que você só não terá uma em duas situações: se já tiver uma outra 50mm, de melhor qualidade; ou se não gostar de 50mm. Portanto, farei dois paradoxos abaixo, especificando quem deveria – ou não – fazer o upgrade para a nova EF 50mm f/1.8 STM, caso tenha a EF 50mm f/1.8 II.

Você que tem a EF 50mm f/1.8 II (versão antiga), deve considerar a nova cinquentinha se:

  • Trabalha com vídeo;
  • Fotografa, principalmente, com equipamento digital;
  • Irrita com o barulho do AF;
  • Odeia a construção de plástico da versão anterior;
  • Gosta de fotografar assuntos próximos;
  • É bokeh-whore, já que o desfoque da nova versão é infinitamente mais bonito;
  • Gostaria de imagens com menos artefatos óticos, como flare, ghosting e aberração cromática;
  • Usa – e muito – filtros circulares e/ou ND gradual;

Você que tem a EF 50mm f/1.8 II (versão antiga), não deve nem considerar o upgrade se:

  • Fotografa com câmeras EOS da era analógica – a nova versão teve uma otimização para sensores digitais, e por mais que seja compatível, vai se comportar de maneira inesperada com película;
  • Odeia consumo de bateria “desnecessário” – o anel de foco, mesmo no manual, só funciona com a câmera ligada – e o sistema de focus by wire;
  • Gosta do desfoque poligonal, de flare, ghosting e aberração cromática;
  • Não quer gastar dinheiro – apesar do preço próximo (apenas R$50 de diferença considerando o preço oficial no Brasil), essa objetiva nunca foi conhecida por reter o valor de revenda, já que é a mais barata do line-up da Canon.

Se, após ler essa resenha, você quiser adquirir uma, consulte seus revendedores e pergunte pela disponibilidade. Alternativamente, a nova Canon EF 50mm f/1.8 STM está disponível na loja oficial da marca, pelo valor de R$ 599,99, podendo ser parcelada em até 12x.

Agradecimentos especiais à Canon do Brasil, que cedeu um exemplar para testes durante o período de uma semana.