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BCN Japan 2016 e o dia em que a Canon surpreendeu a todos!

30 de janeiro de 2016
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Recentemente foi anunciado o resultado do BCN Japan Awards, que nada mais é um relatório de vendas de produtos relacionados à imagem do anos anterior. O BCN Japan 2016 Awards, portanto, contém dados de venda do ano de 2015, de todo o território japonês.

E a surpresa de todos foi… A Canon. Sim, a Canon. A Canon, que todos julgam como “conservadora” e “atrasada” – entre outros adjetivos -, surpreendeu a todos por dois motivos: ela aumentou sua participação no mercado em todos os segmentos de câmeras fotográficas (DSLR, compactas e mirrorless) e ainda abocanhou o terceiro lugar no ranking de mirrorless, ficando atrás apenas da Olympus e da Sony.

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“O QUE? CANON VENDE MAIS QUE FUJI NO JAPÃO?!” você deve estar se perguntando, e a resposta é… Sim.

As três câmeras que a Canon lançou nesse segmento – EOS M, EOS M2 e EOS M3 – são câmeras simples e sem grandes inovações, principalmente se comparadas à concorrência, e a própria marca tem total consciência disso – tanto que não faz esforço algum para expandir sua presença dentro do mercado de mirrorless. Nós, que moramos no Brasil, sabemos como é difícil ver algum usuário de mirrorless da Canon – e é mais difícil ainda ver essas câmeras para venda. A Canon Brasil tentou oferecer a câmera em território nacional, em 2013, mas o número hiper baixo de interessados fez com que as unidades importadas ficassem encalhadas. Enquanto isso, o mercado brasileiro de mirrorless para outros fabricantes – principalmente Sony e Fuji – crescia consideravelmente, com vários usuários migrando de suas DSLR para o sistema mais portátil. E isso também reflete no resto do mundo, onde a Canon não tem uma presença forte no segmento de mirrorless.

Mas no Japão as coisas são diferentes, e com um motivo específico: o preço. A EOS M3, última mirrorless lançada pela Canon, atualmente custa o equivalente a USD 450 no Japão. Em contrapartida, a Fuji X-A2, que seria a mais próxima da EOS M3 em termos de especificação técnica, custa na faixa de USD 550. Pode não parecer muito, mas some isso ao preço das lentes: uma EF-M 22mm f/2 STM, da Canon, custa na faixa de USD 250. A lente mais próxima da Fuji seria a XF 18mm f/2 R, que custa na faixa de USD 600. Ou seja, considerando um kit “completo”, sai muito mais barato optar pela EOS M3 e a EF-M 22mm f/2 STM (USD 700) do que pela Fuji X-A2 e a XF 18mm f/2 R (USD 1150).

O mercado japonês da fotografia é comandado por amadores, que justamente por não ganharem dinheiro com fotografia optam por equipamentos mais baratos – e é nesse ponto que a Canon apostou. De forma semelhante, a Olympus abocanhou mais de 10% de participação do mercado em mirrorless, enquanto tanto a Panasonic quanto a Sony perderam mercado. Ironicamente, Sony e Panasonic resolveram focar seus esforços em suas linhas profissionais de mirrorless (a Sony com sua A7 e variações A7r e A7s; e a Panasonic com sua GH4). Isso abriu espaço para a Olympus, com uma linha de câmeras que tem um apelo bem maior para os amadores, tanto em questões de funcionalidade quanto na questão financeira.

O resultado afetou positivamente a Canon, que agora em fevereiro deve vir com tudo apresentando suas novas câmeras – incluindo uma mirrorless que eles “garantem que vai surpreender a todos”. Agora é ver se essas novas armas vão ajudar a consolidar a empresa em um ramo que, para muitos, ela está perdendo de lavada. Afinal, se tem uma coisa o BCN Japan 2016 provou é que a Canon está longe de ser derrotada.