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Tecnologia e Equipamentos

Você pergunta, eu respondo! – Parte 1

13 de fevereiro de 2016

O que você faria quando, no meio do Carnaval, o Petrocco chegasse em você e falasse “então, postei na página do Papo de Fotógrafo que você iria responder várias dúvidas técnicas de nossos ouvintes”?

Bom, eu não sei vocês, mas a minha reação foi, simplesmente, falar “topo, ora pois” enquanto comia minhas chimichangas e compartilhava a imagem na minha página do Facebook e no meu Instagram. E, obviamente, recebi algumas perguntas bem interessantes – além de inúmeras piadas. Separei algumas perguntas para esse primeiro artigo, principalmente para dar uma resposta decente para cada uma. 😉

Note que as perguntas foram reformatadas por pura questão estética, mas o conteúdo delas permanece o mesmo.

Sem mais delongas… Vamos lá. 😉

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Se você tem alguma dúvida sobre equipamentos, pode perguntar para o JAPA aqui nos comentários ou através do email contato@papodefotografo.com.br

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Eu vejo que você manja muito do aspecto técnico dos equipamentos fotográficos, e vi inúmeras fotos de equipamento em seu feed do Instagram, mas eu não consegui achar o que você usa. Pode me dizer qual câmera você usa? Quais suas lentes preferidas? E qual o motivo de você ter escolhido esse equipamento?

Carolina P. (via Instagram)

Oi, Carolina!

Bom, eu respondi essa pergunta – em partes… – no Papo de Fotógrafo #110, o qual eu fui convidado a falar de equipamentos. Mas, basicamente, eu uso Canon.

No momento, eu uso a EOS 5D Mk III. Até o ano passado eu utilizava a EOS 6D, que atendia perfeitamente os meus trabalhos fotográficos. O problema surgiu quando eu comecei a mexer com vídeo, e a 6D se provou não confiável nesse ponto, já que ela esquentava muito mais rápido que a 5D Mk III. Note que eu não condeno a 6D por isso, visto que ela aguenta o tranco se você for fazer vídeos curtos. O problema maior são sets de filmagem, que exigem muito de equipamento.

Quanto às objetivas, eu optei por trabalhar com objetivas fixas. Minhas principais são a EF 35mm f/1.4L USM e a EF 85mm f/1.2L II USM, que eu uso na maioria dos meus ensaios. Além delas, meu kit contém a EF 14mm f/2.8L II USM (para situações em que eu preciso de uma ultra angular), EF 24mm f/1.4L II USM, EF 100mm f/2 USM e TS-E 90 f/2.8.

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Eu já fotografo há algum tempo com uma Canon EOS Rebel T3i e uma EF 50mm F/1.8 II e já passou da hora de eu fazer um investimento. Eu vou fazer uma viagem pros Estados Unidos em setembro e vou aproveitar pra comprar equipamento lá.

Eu estou com muita dúvida se continuo ou não com a Canon, porque como tenho pouco equipamento, não vou perder nada se mudar de sistema. Todo mundo fala bem da 5D Mk III, mas eu estou pensando seriamente eu mudar pra Nikon, no caso uma D810. Pra lente eu já decidi que vou investir em uma 24-70 f/2.8.

Pensei também na Sony A7r II, mas não curti muito o sistema de lentes deles.

Você acha uma boa escolha, ou o que você me indicaria?

Johann R. (via Facebook)

Oi, Johann.

Bom, aqui nós batemos em uma série de fatores distintos. Para começarmos, acho bom impor o ponto de que todas essas opções consideradas te entregarão resultados melhores – em termos de qualidade de imagem – que a sua T3i. Independente de sua escolha ser a 5D Mk III, a D810 ou a A7r II, você estará bem servido.

Todas elas tem uma série de prós e contras, e você deve considerá-los antes de tomar sua decisão. A Canon, nesse sentido, já sai na frente pois você, por mais que tenha que se adequar a uma nova câmera, não precisará reaprender todos os menus e funções. Além disso, ela é uma câmera consolidada (ou seja, é uma câmera que irá perdurar por um bom tempo, vide quantas 5D Mk II ainda estão ativas no mercado). Outro ponto interessante é que, caso você decida por manter sua T3i, as lentes serão aproveitadas por ambas as câmeras. Contra a decisão de manter Canon, acredito que o que mais pesaria seria a necessidade de uma câmera com mais megapixels (afinal, são apenas 22MP).

A Nikon D810, por outro lado, é uma opção realmente interessante com 36MP, um ótimo alcance dinâmico e um pacote bem sólido em termos de resistências e durabilidade. Entretanto, o desempenho dela em ISO alto é abaixo da 5D Mk III (porém bem melhor que o da T3i, tenha isso em mente), o que implica em um cuidado bem maior com relação à luz.

Já a Sony A7r II vai ter o melhor conjunto de qualidade de imagem: são 44MP com um desempenho muito bom em baixa luz e ótimo alcance dinâmico. Os contras a se considerar são a oferta de objetivas e o gasto de baterias. Por ser um sistema novo, que não está totalmente consolidado no mercado, a A7r II (e outras A7 no geral) não tem nem 1/5 das objetivas disponíveis para Canon ou Nikon (considerando objetivas nativas do sistema). Óbvio que você pode adaptar praticamente todas as objetivas na A7r II, entretanto isso pode implicar em acostumar ao uso de objetivas mecânicas (foco manual, controle de diafragma mecânico, etc) ou, no caso de objetivas eletrônicas, em uma inconsistência no uso delas (principalmente no autofoco). Já o consumo de baterias, bem… Apenas considere que, pra cada uma bateria da Canon/Nikon, você deve considerar 3 para a Sony.

Sinceramente? Eu acho que vai acabar ficando mais a seu cargo do que em planilhas de especificações técnicas. Se a quantidade de megapixels for realmente importante, você pode considerar também a EOS 5DS, que tem incríveis 50MP. Note, porém, que se o desempenho em ISO alto da D810 já é abaixo das consideradas, o da 5DS é mais ainda. E, no caso da Nikon, se você não precisar de 36MP, vale considerar também a D750, que eu acho um pacote bem melhor – no geral – do que a D810. 😉

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Sou apaixonada por fotografia e minha primeira câmera foi uma compacta superzoom da Fujifilm.

Hoje me presenteei com uma Canon EOS Rebel T5 com a lente básica. Porém amo tirar fotos de detalhes, ou conseguir pegar uma foto distante com o zoom e pegar os detalhes da imagem. E isso me deixa frustrada na atual lente, porque ela não vai muito longe.

Então, minha dúvida: qual lente comprar pra pegar um zoom perfeito?

Lúcia R. (via e-mail)

Lúcia, Lúcia. Que pergunta difícil.

Ao meu ver, você quer saber de duas coisas: fotos de objetos distantes (teleobjetiva) e de detalhes (macro), ambas com qualidade.

As câmeras superzoom oferecem um conjunto interessante para quem quer tanto um zoom maior quanto um bom macro sem querer carregar muito equipamento (e gastar muito dinheiro). Isso ocorre porque, devido ao sensor menor, os fabricantes conseguem desenvolver um conjunto óptico que atende a todas essas situações, porém sacrificando um pouco a qualidade de imagem.

Começando pelo zoom, como você não informou qual o modelo que você tinha de superzoom da Fuji, eu não tenho nem noção de qual distância focal você precisaria para ter um “zoom” parecido. O que você procura, nesse caso, é uma teleobjetiva, e eu vou sugerir duas opções:

A EF-S 55-250mm f/4-5.6 IS STM seria a opção mais em conta (com qualidade) que você poderia ter para a sua T5. Entretanto, leve em consideração que talvez ela não tenha nem metade do zoom que você tinha em sua superzoom. A outra opção seria a EF 100-400mm f/4.5-5.6L IS USM, que teria quase o dobro de zoom sobre a indicação anterior. Essa objetiva já é da série L da Canon, e é uma baita teleobjetiva zoom para uso amador, porém ela é grande, pesada e relativamente cara.

Já para macro, o ideal é você procurar objetivas dedicadas para isso. No caso da T5, você tem a opção da EF-S 60mm f/2.8 USM, uma objetiva compacta e com ótima qualidade para macro. Caso queira algo mais versátil, você tem a EF 100mm f/2.8 Macro USM, que é um pouco mais cara que a opção anterior.

Existem outras opções de teleobjetivas e macro, tanto mais baratas quanto mais caras. Tudo vai depender do quanto você está disposta a gastar. 😉

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Comprei uma Fujifilm X20 e estou com várias dificuldades sobre o arquivo RAW.

A primeira é que, com um cartão de 16GB consegui fazer apenas 28 fotos em RAW. É isso mesmo? Como faço para mudar esta configuração para criar um arquivo em RAW, mas não tão pesado?

A segunda é que o RAW que sai da maquina não está sendo reconhecido no meu PC, o que posso estar fazendo de errado?

Fernanda M. (via e-mail)

Oi, Fernanda.

Bom, pra começo de conversa, você precisaria ver se é a sua máquina ou o cartão de memória que está com problemas. A Fuji X20 gera um arquivo .RAF de aproximadamente 20MB, o que daria para gravar mais ou menos 800 arquivos RAW em um cartão de 16GB.

A Fuji X20, no entanto, acessa a memória interna (de aproximadamente 24MB) caso não consiga ler o cartão inserido dentro dela e, nessa ocasião, reduz os arquivos para JPEG Small (o que resultaria em aproximadamente entre 26 e 28 arquivos gravados na memória interna).

Tente usar outro cartão de memória para verificar se está tudo em ordem com a câmera. Além disso, sempre realize uma formatação completa do cartão de memória na própria câmera antes de utilizá-lo, principalmente se você utilizava esse mesmo cartão em outra câmera.

Quanto aos arquivos .RAF da Fuji não estarem sendo exibidos pelo seu PC, a solução é relativamente simples: basta instalar o CODEC para visualização de arquivos .RAF, que já vem incluso com todos os softwares fornecidos pela Fuji.

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Poderia nos dar um feedback sobre a Nikon D750? E, para quem usa Nikon, qual câmera você indicaria?

Daniele A. (via Facebook)

Olá, Daniele.

Curto e grosso: a D750 é a melhor câmera que a Nikon lançou nos últimos 5 anos, sem brincadeira. Claro, houve um lote dela que apresentou um problema de flare com relação ao sistema de AF e a caixa de espelho, mas aparentemente isso foi resolvido.

Então, primordialmente, minha indicação seria a própria D750. A menos que você encontre uma D700 baratinha, pois ela é uma câmera melhor ainda. 😉

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Algumas dúvidas referentes à vida útil de obturadores.

Por que o número de cliques não deve ser considerado à risca?

Existe algo que ajude a prolongar ou encurtar a vida útil?

Warley S. (via Instagram)

Olá, Warley.

Bem, o número de cliques não deve ser considerado à risca visto que é uma estimativa. Por conter inúmeras peças móveis (mecânicas), e impossível determinar um desgaste “igual” em todas as peças. Um fotógrafo de esportes, que fotografa sempre com o modo sequencial ligado e com tempos de exposição extremamente curtos com certeza terá um desgate muito maior que um fotógrafo de paisagens, que fica horas esperando pelo momento certo para fazer o clique. Então, essa estimativa é considerando os diversos usos que um mesmo equipamento pode realizar.

Não existe muito segredo: quanto mais esforço você impôr à sua câmera, maior o desgaste que os componentes irão sofrer e, consequentemente, menor será sua vida útil. Mas isso não significa que você deve fazer uma foto por mês e afins: equipamento parado também pode trazer uma série de outros problemas. Mas aí o papo não é relacionado ao desgaste dos componentes. 🙂

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Ficamos por aqui dessa vez! E fiquem ligados pois teremos mais artigos iguais a esse. Mande suas dúvidas por e-mail para contato@papodefotografo.com.br e ela pode ser respondida no próximo artigo!

Até logo! 😉

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