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Equipamentos e Tecnologia

Você pergunta, eu respondo! – Parte 3

24 de Março de 2016

E aqui estamos com a terceira parte do artigo onde eu respondo as suas perguntas!

Tem alguma? Pode perguntar aqui nos comentários ou através do email contato@papodefotografo.com.br

Vou tentar responder ao máximo possível de perguntas. 😉

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Acabei de adquirir a nova 50mm STM e tive uma surpresa bem desagradável, durante a gravação de um curta metragem. Na ausência de um follow focus, quando preciso definir dois ou mais pontos de foco, uso dois pequenos pedaços de fita crepe na objetiva. Esse é um recurso usado por muita gente. Eu mesmo faço isso há um tempão. Enfim… A surpresa foi que, depois de definir os dois pontos de foco, ao retornar para o primeiro ponto, girando o anel em modo manual (claro), o assunto estava totalmente desfocado. Refiz o foco umas duas vezes e aconteceu a mesma coisa. Testei outra 50mm 1.8 STM, de um amigo, e o mesmo aconteceu. Nunca tive esse tipo de problema com nenhuma outra objetiva, inclusive a versão anterior da 50mm.

Existe uma “outra maneira de focar manualmente” nessa objetiva?

Uendel G. (via e-mail)

Fala, Uendel!

Cara, você está com um problema sem solução nas mãos. O motor de foco presente na EF 50mm f/1.8 STM é alimentado pela energia da câmera, o que implica em um anel de foco que gira “infinitamente” para ambos os lados. Caso você esteja com a câmera desligada e gire o anel de foco, você pode perceber que o elemento ótico não se altera pelo mesmo motivo. Você não teve esse problema com outras objetivas (como a EF 50mm f/1.8 II, anterior ao modelo atual) pois ela possui um anel de foco mecânico, que não depende de energia.

Essa não é a unica objetiva a apresentar esse “problema”, sendo que ele está presente em praticamente todas as objetivas STM e até mesmo em algumas objetivas USM (como é o caso da caríssima EF 85mm f/1.2L II USM). Acontece que, no caso da 85mm f/1.2, o problema é amenizado pois ela tem a escala de foco (coisa que não é presente na 50mm f/1.8 STM.

Para “amenizar” o problema, não tem jeito: você vai precisar fazer o foco “no olho”. Ou ter um extremo cuidado para não girar o anel além da conta após fazer as marcações necessárias. Mas, sinceramente, a melhor alternativa talvez seja a aquisição de um follow focus.

Boa sorte!

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Eu comecei a fotografar faz 2 anos, estudando por conta mesmo. Ano passado consegui fazer um up nos equipamentos, mas também queria trocar minha câmera, mas ainda estou em duvida de qual comprar. Seria que poderia me dar umas dicas sobre fotografia, materiais de estudo?

Thyago O. (via Facebook)

Fala, Thyago!

Cara, o melhor material de estudo, ao meu ver, são os livros de fotografia. Quando você me mandou sua pergunta, você acabou me enviando junto o endereço de seu Flickr. Eu dei uma olhada e vi que você tem uma linguagem bem próxima do que poderia ser um misto entre lifestyle e skate, então o que eu poderia te indicar seria o livro Skate and Destroy: The First 25 Years of the Thrasher Magazine (o link que eu marquei vai te levar para o site da Livraria Cultura, mas leve apenas como uma referência para saber de qual livro eu estou falando).

Esse livro engloba os primeiros 25 anos da revista Thrasher, englobando especificamente o período entre 1981 e 2006. É um livro bem legal, com centenas de referências que poderão fazer algo que nenhum equipamento vai fazer: te inspirar a tirar fotos melhores.

Ter um equipamento de ponta é maneiro? É. Mas dúvido que uma dose de inspiração não te faça tirar fotos melhores ainda. 😉

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Uma pergunta que talvez seja idiota, mas provavelmente seu parecer pode ser bem neutro: o que você achou da Pentax K-1?

Juliana B. (via Facebook)

Oi, Juliana!

Direto ao ponto, achei a câmera fantástica. Pelo menos no papel, ela oferece muito mais que a maioria das câmeras fullframe do mercado: ela tem um legado bem grande de objetivas mecânicas e eletrônicas compatíveis, adaptadores oficiais para o uso de objetivas da Pentax 645 e objetivas M42, é selada, possui dois slots de cartão de memória, 36.4MP, estabilizador interno, modo pixel shift, WiFi e NFC. Por mais que essas coisinhas, separadas, pareçam comuns, nenhuma câmera hoje, no mercado, oferece tudo isso por USD 1.800.

A grande questão de usar Pentax no Brasil é assistência técnica. Qualquer problema que você tenha com a câmera e você será obrigada a enviar o equipamento para fora ou recorrer a uma assistência não autorizada. Outro adendo é o modo de vídeo da câmera: a Ricoh confirmou que a ideia dela não foi fazer uma câmera focada em vídeo, e parte do preço dela ser tão baixo é justamente por conta disso. Então, se você trabalha com vídeo, talvez não seja uma boa alternativa.

Por fim, mesmo com esses “contras”, eu não duvido que muitos fotógrafos acabem pulando no barco da Pentax por conta da K-1. Confesso que até eu fiquei tentado – e olha que eu nem coloquei a mão em um exemplar dela.

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Inspirado pelo seu artigo sobre até que ponto o equipamento importa para a fotografia, parei para refletir e resolvi listar todo o meu equipamento que acabava ficando inutilizado ou com pouco uso. Como todo e qualquer fotógrafo, eu passei pela fase em que achava que deveria adquirir várias objetivas e acessórios para cobrir toda e qualquer possível situação, e vejo que agi de maneira errada.

Ao ver a maioria das minhas fotos, reparei que eu pratiamente ficava no combo 6D + 50mm f/1.8 II. Decidi, então, vender todo o equipamento que eu não uso e adquirir uma 50mm de melhor qualidade. Entretanto, fiquei em dúvida entre duas objetivas: a 50mm f/1.2 da Canon e a 50mm f/1.4 Art da Sigma.

Entre as duas, qual você escolheria, e por que?

Gilberto P. (via Facebook)

Fala, Gilberto.

Entre as duas objetivas citadas, eu digo que a resposta vai acabar dependendo do que você procura.

A Canon EF 50mm f/1.2L USM vai te oferecer selagem (para caso você tome chuva), meio ponto a mais de abertura, é menor e mais leve. Visualmente, ela tem uma assinatura óptica mais singular, além de um desfoque mais bonito. Já a Sigma 50mm f/1.4 DG HSM Art é mais nítida, tem um foco mais rápido e tem a distância mínima de foco menor.

Ambas são lentes que te entregarão ótimos resultados. No meu caso, entre as duas opções, eu provavelmente optaria pela Canon por dois motivos: o primeiro é que ela, por ser selada, possibilitaria que eu fotografasse na chuva; o segundo é que eu tenho mais possibilidades artísticas com ela. O ganho de qualidade de imagem que a Sigma providenciaria, no meu caso, não é uma necessidade sobre o restante – e se eu precisar de uma nitidez absurda, é só fechar a lente em f/2 que ela já aumente consideravelmente.

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Estou morando no Canadá desde o final do ano passado. Sempre fotografei de forma amadora, e sempre achei que fotografar com DSLR me trazia um risco pelo tamanho e indiscrição. Mesmo minha atual câmera, a SL1, com as lentes que eu mais uso (a 24mm pancake e a cinquentinha), que é o menor kit de DSLR que eu consegui ter, eu considero relativamente grande.

O problema é que eu fui ver outras opções de câmeras, principalmente mirrorless, e não encontrei nenhuma opção que me atenda! A Fuji X-T10, por exemplo, é menor que a SL1, mas as lentes mais compactas não atendem as distâncias focais que eu procuro. A Sony A6300 parecia uma boa opção, mas a falta de objetivas sem autofoco me fez desistir. Fora elas, a opção seria eu ir para Olympus ou Panasonic, mas o sensor ser menor que APS-C me faz ter um pouco de receio quanto ao processo de adaptação.

Você acha que isso é coisa da minha cabeça? Ou, se você tiver outra indicação, poderia me ajudar?

Jéssica P. (via e-mail)

Oi, Jéssica.

Bom, toda câmera exige um processo de adaptação. Se mesmo dentro de uma marca existe variação de modelo para modelo, quando você migra de marca o processo é mais lento ainda – porém não é nada impossível de se fazer.

Sobre a sua indagação, são dúvidas comuns de quem pretende migrar de sistema (de DSLR pra mirrorless) e que deveriam ser perguntadas por todos os que pretendem fazer isso. Fotografar com DSLR ou com mirrorless é uma questão pessoal, e por isso você não deveria levar em consideração nada além da sua experiência pessoal. Um erro comum de muitos fotógrafos é migrar de sistema, sem refletir, e depois se arrepender, perdendo dinheiro nesse meio.

Sobre as câmeras citadas, todas oferecem qualidade de imagem, principalmente se o seu uso amador. O sistema micro four thirds, apesar de ter o sensor menor (que se traduz em um fator de corte de 2x), não é um sistema que produz imagens sem qualidade. Pelo contrário! A Panasonic GH4, por exemplo, é notoriamente conhecida por ter o tamanho próximo da SL1, e seus arquivos de vídeo são comprovadamente superiores. Fora que o sistema micro four thirds possui inúmeras objetivas com autofoco, incluindo objetivas pancake – que ajudam a diminuir ainda mais o tamanho do kit.

Mas, se ainda assim o sistema micro four thirds não te agradar por conta do sensor menor, te deixo uma última sugestão: a Canon EOS M3. Ela possui um sensor tamanho APS-C (que você já está acostumada) e, mesmo com o EVF opcional, seu tamanho é relativamente menor que o da SL1. De quebra, você tem a EF-M 22mm f/2 STM como uma opção de objetiva pancake. O problema, no caso, vai ficar com a cinquentinha – que você até pode usar, mas com um adaptador e que vai, infelizmente, aumentar o tamanho da câmera consideravelmente.

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Ficamos por aqui dessa vez! E fiquem ligados pois teremos mais artigos iguais a esse. Mande suas dúvidas por e-mail para contato@papodefotografo.com.br ou deixe-as nos comentários e ela pode ser respondida no próximo artigo!

Até logo! 😉

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Ouça nosso bate-papo com o Bruno Massao: Equipamento faz a diferença?

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