Papo de Fotógrafo Podcast

Menu
Inovação e Negócios

Inovação – Uma reação nuclear!

8 de julho de 2016

(tempo de leitura: 4 a 5 minutos)

A fotografia é um segmento que apresenta inovações tecnológicas surpreendentes a cada dia. Quem acompanha este mercado de perto recebe a todo instante notícias de novos dispositivos, de novas tecnologias, de novos formatos que prometem agregar ainda mais qualidade aos registros fotográficos.

A revolução da fotografia digital e o fenômeno dos smartphones equipados com câmeras fotográficas cada vez mais poderosas têm transformado a fotografia em linguagem universal, que todos falam (ok!), que todos “entendem” (será?) e que todos “dominam” (#sqn).

Mas qual o impacto disso para os fotógrafos profissionais e para toda a cadeia de empresas que fornecem serviços e produtos para estes profissionais?

A história tem nos mostrado que a fotografia profissional tem uma capacidade adaptativa muito grande e se reinventa sempre, mas só quando está à beira do precipício! É preciso estar ali, em um beco sem saída, correndo alto risco, para que a criatividade e as habilidades de inovação dos profissionais deste segmento sejam sacados de suas mochilas e de seus cases para, enfim, transformar novamente o mercado. Foi assim na transição do analógico para o digital; na reinvenção da fotografia de casamento; no surgimento da fotografia newborn, que em algum momento também entrará em crise; etc.

Precisa realmente ser desta forma?

Parece que este mercado, no qual as inovações tecnológicas fluem com abundância, ainda não acordou para a necessidade de inovação nos modelos de negócios que orientam as relações de troca entre todos os stakeholders (integrantes que sustentam cada mercado) – fotógrafo e clientes; fotógrafo e encadernadoras; fotógrafo e fornecedores de equipamentos; fotógrafos e parceiros de comunicação e mídia; fotógrafos e parceiros de organização de eventos…

O que mudou no modelo de negócios de comercialização de equipamentos fotográficos da era analógica para a era digital? Praticamente nada! Ah, mas hoje tem venda online, tem e-commerce… Ok! Mas é o mesmo modelo de balcão, só que ajustado à era digital. Somente uma mudança de plataforma de transações, sem haver, verdadeiramente, uma mudança no modelo de negócios.

A grande revolução neste segmento só acontecerá quando os fotógrafos, os únicos e verdadeiros pilares deste mercado, perceberem que as mudanças precisam começar a acontecer a partir deles. É um processo nuclear, desencadeado de dentro (do núcleo – o fotógrafo) para fora (para todos que orbitam este núcleo e mantém o equilíbrio deste sistema)! Enquanto os fotógrafos, núcleo e força maior deste segmento, entregarem aos outros integrantes do sistema os seus destinos, nunca terão o mercado da forma que esperam e que lamentam, nas redes sociais, não existir.

A era da inovação na fotografia precisa começar agora, antes de chegarmos novamente à beira do abismo.

Sim, muitos ficarão pelo caminho novamente! Mas este é mais um processo de seleção natural das espécies! Não serão os maiores, não serão os mais fortes, que sobrevirão…

Na era “pós-digital” (sim, é isso mesmo!), inovação é o atributo mais vital para quem pretende sobreviver em mercados altamente competitivos.

A boa notícia é que inovação é um processo, que pode ser ensinado e aprendido. Não é algo inato, que alguns privilegiados têm e outros nunca terão!

O Design Thinking apresenta suas credenciais através das empresas e instituições mais inovadoras do planeta e está chegando agora ao mercado fotográfico. Quem surfar nesta onda de inovação encontrará condições ideais logo ali à frente. Quem não surfar nela, pode ser simplesmente varrido pelo Tsunami que está por chegar a qualquer momento.

Para o Design Thinking, INOVAÇÃO é um processo centrado no SER HUMANO!

Somente o aprofundamento na compreensão do ser humano e nas suas interrelações é que permitirão que as inovações disruptivas (que modificam as nossas vidas para melhor) aconteçam.

Não, mudar modelos mentais não é algo fácil! Destruir mindsets conservadores, de uma indústria conservadora, demanda trabalho e persistência. Mas como falei acima, para acontecer, precisa ser um processo nuclear, de dentro para fora, para que o que está ao redor seja movido e modificado pela força que vem do fotógrafo.

Paulo Bettio
Publicitário, Empreendedor e Design Thinker
Fundador do site www.busquefotografo.com.br