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Histórias e Devaneios

A síndrome do selinho.

30 de agosto de 2016

Em tempo de Olimpíadas tupiniquins resolvi falar sobre competição. Tentando abrir a minha mente para outros assuntos menos óbvios. Afinal no Brasil o assunto parece ser sobre as muitas mais críticas políticas. Que infelizmente contaminaram o espírito de nossos eventos esportivos e, nessa época pouco falamos sobre esporte.

Talvez a palavra que mais repetirei nesse texto é: Cuidado. Então tome muito cuidado com o conceito de concorrência pois vamos falar mesmo é de competição. Em referência a um tipo de embate quase sempre esportivo, ou seja, supõe-se o respeito entre adversários, regra ou regulamento atrás de ganhar um troféu, medalha ou selo de vitória. Por falar nisso…

Já ouviu falar da síndrome do selinho? Você já sofreu deste mal? E de repente foi tomado por uma necessidade – quase cega – de correr atrás de um carimbo que diz “Fotógrafo Premiado”. Me diz, por quê?

Calma, esse aqui não é um texto antiprêmio mas quero te fazer pensar sobre alguns tópicos pois não vou conseguir defender todas as possíveis posições neste artigo… adorarei revê-lo depois comentários surgirem. E eu sei que surgirão.

Vamos lá. Eu naturalmente sou um cara competitivo, gosto de “jogar” e principalmente quero ganhar. Mas, aprendi mesmo foi perdendo. E já te aviso perder faz parte do jogo. Ninguém entra em uma competição, procurando perder. Mas mais importantes do que as vitórias, são as experiências adquiridas também nas derrotas.

Sabemos que nenhum atleta pode ser um campeão se não estiver disposto a seguir uma rotina saudável e trabalhar firme nos treinos para aumentar sua performance. Com nós fotógrafos não é diferente. Se você quer vencer, precisa se dedicar, lutar diariamente, abrir mão de práticas que, talvez, possam atrapalhar o seu crescimento tais como não absorver críticas. Se posso te dar uma dica ela seria: “Seja disciplinado”.

Participar de competições (seja ela qual seja) é muito gostoso e te força a se preparar mais e trabalhar mais duro para alcançar a desejada conquista. E por esse motivo nas competições fotográficas, ganham tanto os fotógrafos, quanto os clientes que contam com um profissional competitivo.

Porém – sempre tem um porém – essa competitividade toda pode ser perigosa pois em algum momento o fotografo pode colocar todas suas forças em imagens premiáveis e não dar atenção a fotografias mais simples que talvez sejam até mais importantes para o cliente. Ou ainda pior, esse fotografo pode se desanimar com aquele trabalho por não ver ali uma possibilidade de prêmio. Consegue ver o perigo aqui? Afinal se o fotografo esta sendo contratado para, por exemplo, um casamento, ele deve estar preocupado primeiro com a satisfação do seu cliente ao invés do tal selinho.

Sei que mesmo muitos ganhando há também muitos fotógrafos enviando suas imagens e perdendo. E perder é glorioso para um ser competitivo. Pois isso o fará se dedicar ainda mais para não sentir novamente o sabor amargo da derrota. E eu perdi muitas mais vezes do que ganhei. Talvez a queda possa parecer difícil de ser superada mas, todas as vezes que se levantar, isso só te fará mais forte e melhor. Minha avó já dizia que se o remédio é amargo é por quê ele funciona!

Sem dúvida, para a maioria dos diretores e atores, receber um Oscar é um dos pontos máximos que pode atingir de reconhecimento. E, sempre dá uma alavancada na carreira dos premiados. Mas toda vez que tem uma entrega da estatueta rola a polêmica das produções e artistas que ficam do lado de fora da cerimônia, por não serem lembrados pela Academia. Então também pense comigo, nem todo prêmio conquistado é justo.

Com tantos “fotógrafos premiados” por aí, carreiras hoje, não são mais definidas por esses selos. Se é difícil para nós saber pesar essas conquistas imagine para seus clientes que não convivem com todas as siglas e associações existentes. Repito, é legal demais competir e isso pode te fazer muito bem mas cuidado, não aposte todas as fichas da sua empresa nessa modalidade de reconhecimento. Existem outras formas de se vencer.

Para esse que vos escreve (e que tem vários desses carimbos) parece que só o selo não basta. É super bacana conquistá-los mas não são absolutamente definidores de sua carreira é bem sucedida. O Oscar para um fotógrafo de casamento é receber agradecimentos das famílias que fotografou em 100% dos álbuns que entregar. Isso sim é o maior reconhecimento que se pode alcançar com os clientes. E nada influencia mais no sucesso de sua carreira do que clientes felizes.

Um perigo iminente que vejo nestas competições é que novos competidores muitas vezes tendem a produzir imagens mais parecidas com as anteriormente premiadas, tentando, conquistar o tão desejado primeiro selinho. E essa característica faz com que esses novos fotógrafos ao invés de propor inovação virem apenas seguidores de tendências. Não há melhor “revolucionário” do que alguém novo. E só de pensar que estamos perdendo revolucionários me dá um frio na espinha.

Rafael Karelisky
www.rafaelkarelisky.com.br