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Review: Canon EOS 5D MK IV

27 de fevereiro de 2017

Finalmente! O primeiro review do ano, e não poderíamos começar 2017 com uma câmera que, no mínimo, desperta a curiosidade de dezenas de fotógrafos por aí a fora: a EOS 5D Mk IV.

Antes de começarmos esse artigo sobre a câmera, gostaria de fazer duas coisas: postar o meu vídeo de hands-on com a câmera, onde eu falo um pouco sobre a EOS 5D Mk IV (inclusive, o vídeo foi gravado com ela)…

…e tirar uma coisa do caminho: não, a câmera está longe de ser “atrasada” – no sentido de não ser capaz de bater suas concorrentes. A EOS 5D Mk IV com certeza será uma câmera que, dentro dos próximos anos, vai se consolidar no mercado – e mais rápido do que sua antecessora, a EOS 5D Mk III.

Primeiramente, o bla bla bla técnico sobre a câmera:

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Theo | Canon EOS 5D Mk IV + EF 85mm f/1.2L II USM: ISO 640, f/1.4 e 1/160

A EOS 5D Mk IV é uma DSLR lançada pela Canon em 2016. Ela é a sucessora da EOS 5D Mk III, possui um sensor fullframe (35mm) de 30.4MP, resolução de vídeo de até 4K, conectividade WiFi, NFC e GPS integrados, além de um corpo de liga de magnésio e selado, garantindo sua resistência mesmo em situações mais abrasivas. O sistema de autofoco de 61 pontos, apresentada na sua antecessora, foi aprimorado e está mais rápido e preciso, além da adição da tecnologia Dual Pixel AF, que possibilita autofoco rápido e preciso durante a utilização para gravação de vídeo ou em captura com live view. A nova câmera também possibilita a captura de sequências com até 7 fotos por segundo com autofoco contínuo e captura de stills durante a gravação de vídeo em 4K. A câmera ainda apresenta uma nova tecnologia chamada Dual Pixel RAW, que no papel soa bem interessante, intervalômetro integrado e um novo design de conexões e botões que é mais que bem vindo.

E o novo sensor, como se comporta?

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Marcelo | Canon EOS 5D Mk IV + EF 24mm f/1.4L II USM: ISO 3200, f/2 e 1/100

O novo sensor fullframe que a Canon desenvolveu exclusivamente para a 5D Mk IV é fantástico. Ele é uma evolução em todos os aspectos se comparado, principalmente, ao sensor presente na antecessora 5D Mk III.

Mas engana-se quem acha que a unica evolução é na resolução, que saltou de 22 para 30 megapixels; o novo sensor tem grandes melhorias em alcance dinâmico, latitude e reprodução de cores. Todas essas melhorias, somadas aos dois processadores (um DIGIC 6+ para o processamento de imagens e um DIGIC 6 para autofoco e fotometria), garantem uma ótima qualidade de imagem, com ótimas cores e um bom desempenho em ISO alto.

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Nany | Canon EOS 5D Mk IV + EF 35mm f/1.4L USM: ISO 640, f/2 e 1/160

Claro, com o aumento da quantidade de megapixels, o desempenho em ISO alto foi afetado – mesmo que pouco. Porém, podemos garantir que pela quantidade de megapixels, o desempenho está bem a par de outras câmeras concorrentes – incluindo da própria Canon. Sinceramente, a quantidade de ruído criado pela 5D Mk IV me parece extremamente semelhante à quantidade de ruído criado pela 5D Mk III – e são 8 megapixels de diferença.

Mas o que mudou, de verdade?

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Pequenos detalhes, como a adição do botão de alteração na traseira da câmera, fazem uma grande diferença na usabilidade.

Sinceramente, aquele que afirmar que a grande diferença da 5D Mk IV para a 5D Mk III é na qualidade de imagem está mentindo. A grande sacada da 5D Mk IV é na ergonomia e usabilidade da câmera. Adições como touch screen, WiFi e NFC não apenas são “frescurinhas”, mas sim facilitadores que são bem vindos na vida de qualquer fotógrafo. Se você utiliza a 5D Mk III, saiba que ao pegar uma 5D Mk IV na mão, você não vai precisar passar por um período de adaptação longo. Tudo está exatamente no lugar onde deveria, então é simbiótico – sua mão se encaixa e você já está pronto para fotografar.

Um exemplo: você gostaria de fazer timelapse? Com a 5D Mk III você precisaria de um controle remoto externo dedicado para isso; já na 5D Mk IV, há um intervalômetro integrado via software na câmera. A mesma coisa vale para longas exposições, o que facilita a vida do usuário que, por algum motivo, não adquiriu esses controles externos ou simplesmente não carrega eles para todos os cantos. Decidiu fazer uma longa exposição de ultima hora? Só apoiar a câmera, programar o tempo e disparar.

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O design da câmera é basicamente o mesmo da iteração anterior, com poucas mudanças.

“Mas, se eu disparar a câmera pelo botão físico, eu vou tremer a imagem!”, você deve estar gritando – e é aí que outras funcionalidades entram em jogo.

Com o WiFi/NFC integrado, por exemplo, você não precisa se preocupar em carregar um controle dedicado, já que seu próprio celular pode fazer essa função. Assim como outros modelos de câmeras da Canon, basta conectar seu gadget na rede sem fio gerada pela própria câmera e lançar o aplicativo Canon Camera Connect, que te possibilita o controle total da câmera, incluindo foco, abertura, tempo de exposição, seleção de ISO e balanço de branco. O disparo pode ser feito através de seu celular, o que garante que a câmera estará imóvel no momento do disparo.

Ficou sem bateria do celular e não pode usá-lo como controle remoto? Sem problemas! Basta ativar a função “disparo por toque”, e com uma simples encostada de dedo no LCD da câmera, a 5D Mk IV dispara – você só precisa lembrar de ser suave ao tocar na câmera, para evitar que ela saia do lugar – como nos exemplos abaixo, fotos macro sem tripé com até 1.6″ de exposição!

Outra sacada sensacional é a possibilidade de usar o dispositivo mobile como controle remoto e monitor também para gravação de vídeos. Em adição à tecnologia Dual Pixel AF, se torna extremamente fácil gravar cenas sem precisar mexer diretamente na câmera. O vídeo que eu postei no início desse artigo é um belo exemplo disso: o meu setup para vlog, que consiste em um monitor externo ligado à 5D Mk III via HDMI e um microfone, foi simplificado pelo WiFi, já que eu usei o iPad para controlar a gravação – e eu não precisei me preocupar com a necessidade de ficar alterando o foco manualmente, já que o Dual Pixel AF deu conta do recado.

E o tal do Dual Pixel RAW?

Se a tecnologia Dual Pixel AF é mais do que bem vinda, principalmente para a gravação de vídeos, o que dizer da tecnologia Dual Pixel RAW, debutante nessa câmera?

Nany |

Nany | Canon EOS 5D Mk IV + EF 35mm 1.4L USM: ISO 640, f/1.6 e 1/200

Para quem não sabia da existência dessa tecnologia, um resumo rápido do que se trata: Dual Pixel RAW é um arquivo RAW com o dobro de informação (pois ele junta duas imagens RAW) que possibilita, na pós, o ajuste fino de foco, redução de flare ou alteração do bokeh. Parece legal, né? Mas a tecnologia tem alguns prejuízos e está longe de ser perfeita.

Para começo de conversa, você não pode usá-la fora do Digital Photo Professional, software oficial da Canon. Ou seja, além de seu fluxo normal de Lightroom, Photoshop (nota: a Adobe confirmou que quer integrar essa tecnologia em futuras atualizações do Lightroom e Photoshop, porém sem previsão) ou seja lá qual software de edição que você utiliza, você precisaria utilizar o DPP para isso. Só isso, para a maioria das pessoas, pode ser uma bela de uma razão para nem chegar perto dessa tecnologia. Claro, caso você queira utilizá-la, temos uma segunda questão: você não consegue fazer as três alterações em conjunto, apenas uma. Quer arrumar o foco e reduzir o flare? Você não pode – escolhe uma dessas alterações e fim de papo. O terceiro ponto – e que, sinceramente, não é necessariamente um ponto negativo – é que as alterações são mais visíveis em aberturas maiores. Claro, faz sentido: por conta da menor profundidade de campo, alterações em desfoque (bokeh) ou de ponto focal se tornam mais visíveis.

Sinceramente, é uma tecnologia com uma ideia muito boa por trás de seu desenvolvimento, mas ao contrário do Dual Pixel AF – que foi uma tecnologia que agradou os usuários praticamente de modo instantâneo -, o Dual Pixel RAW vai precisar de um pouquinho mais de desenvolvimento antes de se tornar popular.

E quanto ao vídeo?

Kaue | Canon EOS 5D Mk IV + EF 85mm f/1.2L II USM: ISO 640, f/1.4, 1/160

Kaue | Canon EOS 5D Mk IV + EF 85mm f/1.2L II USM: ISO 640, f/1.4, 1/160

A série 5D é uma antiga conhecida de filmmakers ao redor do mundo todo, sendo utilizada até mesmo em grandes produções, como Mad Max: Fury Road ou Marvel’s Avengers. Desde a sua segunda iteração, com a 5D Mk II, a Canon fez seu nome como uma câmera capaz de atender até mesmo as necessidades mais complexas de diretores. Tendo isso em mente, vale citar que estamos em outro ano. Existem diversos concorrentes no mercado, para praticamente todos os bolsos – e a própria Canon parece estar se esforçando para afastar a sua linha Cinema EOS da linha clássica de DSLR. Isso significa que a EOS 5D Mk IV é uma câmera ruim para a produção de vídeos? Nem um pouco – pelo contrário, se tratando de filmagem com DSLR, eu garanto que ela foi uma das mais sólidas que eu utilizei.

Entretanto, as coisas começam a cair por água com relação à filmagem em 4K, que a 5D Mk IV oferece com duas ressalvas: a filmagem sofre um corte de 1.7x (ou seja, não usa o sensor em sua totalidade) e é baseada no codec MJPEG. A questão do corte é aceitável, visto que 1.7x não é um corte muito maior do que o de usar uma câmera com sensor APS-C (e que muitas pessoas já devem estar acostumadas) e é possível trabalhar com essa limitação sem grandes prejuízos, mas a decisão de uso do MJPEG pode ser um baita problema para produtores menores e independentes – tanto que a maior reclamação sobre a 5D Mk IV e seu 4K foi justamente sobre esse CODEC.

No entanto, a adição da tecnologia Dual Pixel AF – já mencionada nesse artigo – é mais do que bem vinda e funciona tão bem, mas tão bem, que eu posso imaginar algumas pessoas fazendo sequências inteiras de movimento sem o uso de follow focus e outros acessórios, o que é muito interessante – e prova o quanto a tecnologia DPAF evoluiu desde sua introdução.

Conclusão

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“Deadpool, LEGO Deadpool” | Canon EOS 5D Mk IV + Micro-Nikkor 55mm f/2.8: ISO 640, f/2.8 e 1/15

A EOS 5D Mk IV  é uma opção extremamente sólida e capaz de atender as necessidades de até mesmo os profissionais mais exigentes. Ela é uma câmera rápida, responsiva e apresenta um conjunto sólido de funções e qualidade de imagem, e mesmo com seus pontos negativos, ela continua se mostrando uma das melhores câmeras que a Canon já lançou.

Nesse mar de opções de câmeras entre diversos fabricantes, a 5D Mk IV carrega um legado que é bem pesado. Ela pode não ser a câmera que você consideraria perfeita, mas tenho certeza de que é uma opção tão bem consolidada que com certeza não vai fazer feio na mão de quem vai usar – e muito menos na mão de quem acha que fotografia se resume à especificação técnica pra vender equipamento.

Agradecimentos especiais à Canon Brasil pelo empréstimo da câmera para esse review.

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