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Corsários – Quadrinho Nacional em uma nova experiência visual.

20 de Abril de 2018

“No início do século XVIII, a fim de fortalecer sua armada, a Inglaterra contratou e converteu navios e tripulações particulares em membros da marinha real, transformando-os em corsários. Com o fim da Guerra da Rainha Ana, essa gigantesca frota paramilitar ficou ociosa e muitos passaram a viver à sombra das bandeiras negras. Induzidos por grandes líderes, esses novos piratas formaram alianças, tornando-se um infortúnio naval mercante para as nações europeias. Um navio de guerra foi enviado às vésperas da posse do novo governador das Bahamas, para averiguar os boatos sobre uma insurreição marítima e garantir o futuro comercial no Novo Mundo”.

Essa é a sinopse de um projeto incrível idealizado e realizado pelo fotógrafo Samuka Marinho, que passou 2 anos se dedicando integralmente ao projeto para criar uma forma diferenciada de apresentar seu portfólio.

A produção foi dividida em quatro etapas (produção, fotografia, pós-produção e editoração) e cada uma delas levou cerca de 6 meses. O projeto é também uma homenagem aos 300 anos da fase mais intensa da chamada “Época de Ouro da Pirataria”, relatando um dia inteiro na vida dos piratas, misturando fantasia a fatos e personagens históricos.

Para esse projeto, foi necessária uma imersão insalubre e descobertas de várias aptidões, já que todo o investimento, pesquisa, criação, roteiro, produção, figurino, cenografia, direção de arte, maquiagem artística, iluminação, fotografia, edição de imagens e editoração dos quadrinhos foram feitas do início ao fim por apenas uma pessoa.

Samuka conta que a ideia para este projeto o acompanhou por algum tempo. Durante este período, aproveitou algumas viagens para montar um grande banco de imagens. Foram 90 dias divididos entre Portugal, Espanha e Itália. Enquanto todos os turistas faziam suas selfies à frente dos monumentos, ele fotografava nuvens, chão, paredes e janelas (e algumas propositalmente desfocadas).

Inicialmente a ideia do projeto era fotografar apenas 30 imagens. Depois que montou as cenas, percebeu que muitos detalhes dos cenários e do figurino, que levou semanas construindo, acabaram não aparecendo. Então, imaginou que seria possível criar mais de 30 cenas. E deu certo. No total foram 400. Dessa vez apareceram todos os detalhes.

Para as cenas principais foram criados storyboards e gabaritos com indicações de lente, altura da câmera, distância focal, velocidade e tudo mais que pudesse me auxiliar nas diversas sessões, já que elementos de uma mesma cena foram, por diversas vezes, fotografados com meses de diferença. O que era feito primeiro servia como parâmetro para o restante da composição. Às vezes, a iluminação do cenário tinha que seguir a foto do modelo que foi feito primeiro, mas o desejado era que os personagens seguissem a ambientação do cenário. Porém, em alguns momentos os modelos e o cenário teriam que seguir toda a ambientação, iluminação e perspectiva de um pequeno, mas importante, objeto alugado ou emprestado que não poderia ficar com ele até o final do projeto.

Tudo foi feito da maneira mais controlada e organizada possível, para que pudesse desorganizar depois, se necessário. E foi o que aconteceu. Muitas cenas controladas foram substituídas por fotos que ficaram boas ao acaso. Foram mais de 40 mil cliques entre cenários, locação e modelos, e também produziu partículas que ajudaram a dar a atmosfera nas cenas (fumaça, fogo, poeira, água, flare, Tyndall effect, etc).

Para construir os cenários, percebeu que precisava de uma mesa para construir os cenários. Então, comprou o material e a construiu. “De repente me vi morando praticamente em um navio”, conta Samuka. Todos os cenários que usou no projeto foram construídos e montados na própria casa. Os únicos cômodos que se mantiveram intactos foram a cozinha, os banheiros e o quarto em que dormia. Foram cenários de 3 paredes, chão e teto, mas alguns tetos na verdade foram feitos no chão e invertidos na pós-produção. Acabou usando esse artifício pois alguns tetos seriam longos e não achava muito seguro ficar clicando sob estruturas tão pesadas, ainda mais construídas por um cara inexperiente.

Ele lembra que no dia em que passou por um container na rua próxima à sua casa, viu algumas cadeiras velhas amontoadas e misturadas ao entulho. Não pensou duas vezes. Abriu o fundo do carro e colocou as cadeiras. Depois desse dia, ficou atento a todo container que avistava. E diz que enriqueceu a cenografia com muito material descartado.

Para simular o mar em algumas cenas, cavou no quintal um buraco de 3×3 metros com 70 centímetros de profundidade. Depois de forrar com lonas plásticas pretas, colocou água e um pouco de detergente, e criou o oceano.

Sobre os figurinos dos piratas, ele conta que boa parte foram feitas com as próprias roupas. Algumas já bem velhas e outras que ainda usava. Vários outros foram customizados a partir dessas peças e outros foram construídas do zero. Comprou uma máquina de costura que também bordava e começou a desbravar cada função, trocando o mouse pelo pedal por um tempo. Fez uso de uma espécie de “tecnologia reversa”, desmontado várias peças para montar novamente com outros tecidos até aprender. Teve o cuidado de pesquisar e escolher as linhas, os botões e os tecidos que mais se adequavam aos esboços.

Depois de montar 50 trajes completos (camisas, coletes, casacos, calças, cintos, calçados e chapéus) deixou tudo no varal por 3 meses para envelhecerem naturalmente.

E para vestir tudo isso, mais de 40 amigos toparam fazer parte dessa experiência, a maioria sendo vizinhos e familiares. Todos foram fotografados individualmente em fundo cinza, fora dos cenários, interagindo apenas com elementos pontuais (copo, tocha, lanterna) para auxiliar na composição das cenas.

Para ver o resultado final desse trabalho, é só apertar o play!

Para colaborar com o projeto, acesse: www.catarse.me/projetocorsarios

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