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O mercado está uma droga… mas o que tu está fazendo pra mudar?

22 de maio de 2018

“Ai, fulaninho tá cobrando só 100,00 por um ensaio! Que absurdo!”
“Perdi um casamento pra um fotógrafo fundo de quintal que cobrou 500,00 dos noivos”
“Cliente chorou preço e não quis fechar comigo”

Eu leio essas frases direto no Facebook, principalmente em grupos grandes de fotógrafos de casamentos. É um chorando que o cliente não quer pagar aqui, outro reclamando do concorrente cobrando mais barato ali. E assim seguimos.

O mercado tá uma droga? Tá. Mas, quer um segredo? SEMPRE esteve uma droga. O ser humano trabalha com custo-benefício sempre. Quer o melhor pelo menor custo. Quer comprar Ferrari a preço de Fusca. E não é só na fotografia. Ou vai dizer que tu não pesquisa preço pra nada que compre, indo onde oferece o que tu quer pelo menor preço?!

O mercado tá uma droga, e a culpa é sempre nossa. Se o cliente quer mais por menos, nós como fornecedores queremos fazemos o contrário: queremos oferecer o mínimo pelo máximo. Estou generalizando, já que sei que muitos não trabalham assim. Mas é um comportamento comum no mercado.

O mercado tá uma droga, mas não fazemos nada pra mudar. Muito mais fácil reclamar do coleguinha que cobra barato, ou jogar a culpa no cliente que não quer pagar o que estamos cobrando, do que parar pra entender o que está acontecendo.

“Preciso melhorar a minha fotografia” diriam alguns. Dai vão, gastam fortunas em workshops de fotógrafos que estão “na crista da onda” ou em congressos de fotografia, mas quando voltam pra casa não aplicam nada do que foi ensinado. Seguem fazendo as mesmas fotos, usando as mesmas referências e obtendo os mesmos resultados.

“Se seguirmos fazendo as mesmas coisas, vamos conseguir obter os mesmos resultados”, diria alguma frase comum de perfil de Facebook de empreendedorismo. Quais os resultados que tu vêm obtendo que precisa alterar as ações?

Eu vou te dizer uma coisa que dá pra fazer. Se tu ver alguém cobrando barato, cola no cara e troca uma ideia. Vê se ele precisa de ajuda pra formatar o preço dele, se ele entendeu como calcula custo, se tá dentro do que ele precisa pra pagar as contas. Se lá no final ele ver que tava cobrando errado e mudar o preço, o mercado melhorou um pouco. Faz isso no próximo, e estimula esses caras a fazerem isso também. Se todo mundo der um passo e influenciar o outro a dar o mesmo passo, quando vê estamos lá na frente juntos.

Ao invés de reclamar que o cara comprou câmera e já tá vendendo trabalho sem saber fotografar, ensina. Monta um grupo com os fotógrafos da tua região e começa a trocar informações. “Ah, mas dai eu vou estar ajudando o meu concorrente a evoluir mais que eu”. Isso é pensar pequeno. Todo mundo ganha nesse cenário.

Eu sou da região do Vale do Sinos, perto de Porto Alegre. Aqui, se alguém quer aprender, temos poucos fotógrafos realmente bons dando cursos e oficinas, temos um evento grande por ano (o Fotoconhecimento), ou precisamos ir para fora da região pra aprender. E nem todo mundo tem grana pra investir nessas coisas. Dá pra ficar reclamando do mercado, da falta de oportunidades e da falta de coleguismo, ou dá pra tirar a bunda da cadeira e ir atrás de algo que resolva. Por menor que seja.

Ano passado eu resolvi tentar algo que mudasse. Criei um evento pequeno, o Foto+, com o objetivo de juntar os fotógrafos da região, trocar informações e fazer o mercado melhorar. Por menor que seja a mudança, é melhor que ficar parado sem fazer nada acontecer. Tivemos duas edições do Foto+ no ano passado, indo pra terceira esse ano.

Para pra pensar: o que dá pra fazer ai na tua região, na tua cidade, ou no teu bairro que seja, pra melhorar o mercado, valorizar a tua fotografia e fazer as coisas acontecerem de verdade?

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