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Artigo

A culpa é deles ou nossa?

21 de janeiro de 2019

Sexta-feira, no nosso Instagram, levantamos um assunto que para alguns seja um tabú e para outros uma polêmica, mas olhando as respostas dos seguidores, descobrimos que é um tema importante a ser discutido entre nós e no meio fotográfico.

A pergunta lançada era: “Se queremos mudar o mercado da fotografia, por que os congressos convidam sempre as mesmas pessoas para palestrar?”. O mais incrível de tudo, é que durante o período em que a pergunta fica disponível, houveram respostas das mais diversas e que, em sua grande maioria, apoiaram o questionamento feito por nós.

Vale lembrar que, sabemos da importância de ter profissionais “âncoras” que possam atrair o público a participarem do evento, mas a pergunta é um pouco mais complexa, e vamos tentar explicar em poucas palavras para que a discussão não fique somente no anonimato das respostas do stories.

Imagine a seguinte situação: o Wedding Brasil (e só estamos usando como exemplo, pois é o evento mais conhecido entre nossos ouvintes e leitores) organiza um congresso com 100 palestrantes das mais diversas áreas (casamento, família, newborn, vídeo), traz profissionais do Brasil e do mundo inteiro para compartilharem suas histórias, conhecimentos e experiências, e mais de 4.000 pessoas acompanham (quase) tudo de perto. Também sabemos que o índice de iniciantes (estão no evento pela primeira vez) é alto. É até compreensível que alguns profissionais (âncoras) subam nos palcos 2 ou 3 vezes (número suficiente) para que seu conteúdo atinja o maior número de pessoas.

O nosso questionamento começa aqui: Por que os congressos que acontecem em outros estados levam as mesmas pessoas para seus palcos?

Provavelmente as respostas mais óbvias são: “Por que precisam de audiência”, “Por que algumas pessoas não têm a oportunidade de ir ao Wedding Brasil ou sair dos seus estados”, que são ótimos argumentos, mas a próxima pergunta é: “E por que eles voltam 2 ou 3 vezes ao mesmo evento sendo que a rotatividade de pessoas e do conteúdo é pequena ou seja, não muda muita coisa?”

Muitas das respostas que recebemos foram: “Ah! Mas se não tiverem nomes conhecidos, as pessoas não se interessam!” — Chegamos ao título desse artigo.

Engraçado ouvir/ler essa resposta sabendo que em cima dos palcos a maioria dos profissionais sugerem e incentivam os participantes a saírem da caixinha, da bolha onde estão, buscando outras referências, não só na fotografia, mas também em outras áreas. Só de imaginar que se o organizador do evento fizer isso não vai ter público, não terá audiência, é de questionar o que realmente as pessoas estão buscando quando participam de um congresso.

Entendemos perfeitamente que os congressos não são instituições assistenciais, são produtos criados pelos seus idealizadores que visam o lucro, afinal, organizar e realizar um evento não é fácil e merecem sim ter suas recompensas financeiras. Mas quando o discurso é “Mudar o mercado”, “Transformar vidas”, é importante que, o que se promove nos palcos seja praticado fora dele

O que talvez os congressos “estaduais” precisem na verdade, é entender o seu papel no mercado local. Trazer âncoras, profissionais renomados é importante para o negócio, mas dar espaço a pessoas que são residentes e conhecem o mercado em que os participantes atuam, com certeza agrega muito na hora de colocar em prática tudo aquilo que foi dito no palco. E tem mais. Buscar palestrantes de outras áreas (administração, publicidade, psicologia, musica, cinema, etc) pode ajudar ainda mais no desenvolvimento da fotografia local. Só a título de exemplo, muitos fotógrafos começaram a participar de eventos como RD Summit, Factor X, que tem palestras de várias áreas, inclusive fotografia, e por que não inverter, trazer esse pessoal para os congressos da nossa área?

Acreditamos que os eventos menores, devam ser o primeiro degrau de “formação” de novos palestrantes. Que eles sejam a primeira oportunidade de alguém mostrar o que sabe fazer para que depois possam chegar a grandes eventos como o Wedding Brasil, Fotografar, etc. E não o contrário

Temos muitos talentos escondidos a espera de uma oportunidade para ajudar a transformar o mercado e a vida das pessoas que ouvirão suas histórias e suas experiências, e por mais que tenhamos que ser empreendedores na organização de um congresso, temos também que ser a porta que se abre para que a transformação venha mesmo acontecer.

É importante ressaltar, que nós, temos um papel essencial nesse processo. De nada adianta os congressos entenderem seus papéis (segundo a nossa opinião), abrir as portas para conteúdos diferentes e palestrantes “desconhecidos”, se nós não acreditarmos e apoiarmos, se inscrevendo e participando. Nós somos aquela engrenagem que faz todo o motor funcionar, e se a gente acreditar, as coisas podem mudar.

Chegou a hora de começar a pensar sobre o assunto e a sair da nossa caixinha.

Queremos aproveitar a oportunidade para abrir as portas do Papo de Fotógrafo para você que leu esse texto até o fim e se identificou com tudo isso que está escrito. Se você tem um conteúdo bacana para compartilhar, seja ele texto, vídeo ou qualquer outra mídia, entre em contato, será um prazer conversar com você e ver como podemos ajudar a ampliar o alcance do que tem para compartilhar.

P.S.: Os congressos que tem buscado inspirações e conteúdo diferentes, só continuarão fortes e seguros das suas decisões, se nós fizermos nossa parte, PARTICIPAR!

Confira abaixo algumas das respostas que recebemos no stories:

  1. Tem fotógrafos que trocaram os casamentos pelos palcos;
  2. Já dá para fazer um banquete com tanta panelinha que tem;
  3. Além de não diversificarem, ficam sempre presos ao casamento;
  4. Por isso amei o PDB (Papo do Bem), todos os nomes apresentaram coisas diferentes;
  5. É engraçado isso. Eu tenho uma palestra muito bem feita sobre um tema e ninguém se interessa;
  6. Parece que só temos fotógrafos de casamento e newborn no Brasil;