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Estudantes do Senac São Paulo superam as dificuldades causadas durante a pandemia da Covid-19 e criam projetos autorais

17 de fevereiro de 2021

Realizados no período de isolamento social, os projetos conquistaram editais e foram selecionados para festivais e exposições dentro e fora do Brasil 

Quando as aulas presenciais passaram a ocorrer remotamente, no início de 2020, muitas dúvidas surgiram para os estudantes que, até então, desfrutavam diariamente de estúdios de fotografia e equipamentos de edição, e o mais importante, a presença física dos professores. Mas os estudantes Camila Brandão e Pedro Abílio, do curso Tecnologia em Fotografia do Centro Universitário Senac, campus Lapa Scipião, localizado na zona oeste da capital, conseguiram se reinventar e com a ajuda de seus orientadores não só deram vida aos seus projetos, como foram selecionados para projetá-los no Pequeno Encontro da Fotografia, que aconteceu virtualmente em agosto e setembro do ano passado. 

Nascida e ainda vivendo na Zona Leste de São Paulo, Camila conta que quando terminou o ensino médio sofreu com a pressão de ter que escolher a profissão que seguiria para o resto da vida e, apesar de cogitar fazer Cinema, em 2019 decidiu pela Graduação Tecnológica em Fotografia do Senac. “Quando ingressei pensava em algo voltado para a área comercial, pois ainda não tinha muita visão artística dentro da fotografia, mas depois que comecei o curso, mais precisamente a partir do terceiro semestre (primeiro semestre de 2020), acabei percebendo que era possível desenvolver e aplicar esse meu lado mais artístico”, conta a estudante. 

Foi então que, com a criação de um grupo de estudos para a troca de impressões e orientações dos professores durante as aulas remotas, Camila decidiu montar a sequência fotográfica Rumo com registros seus feitos antes e durante a pandemia. “Produzir e desenvolver estando em isolamento social não foi fácil, mas a qualidade do corpo docente, as consultorias e tudo o que eu aprendi durante as aulas contribuíram para o sucesso do trabalho, o que acabou me encorajando a concorrer em editais e a inscrever o projeto em festivais, como o Pequeno Encontro da Fotografia, de Olinda”, explica Camila. 

Já Pedro Abílio, também estudante do curso Tecnologia em Fotografia, conta que sempre foi interessado por arte. Nascido em Itaquaquecetuba, município da grande São Paulo, o estudante que continua morando em sua cidade natal e desde o início da adolescência passava bastante tempo escrevendo poesia, foi se desenvolvendo até ter contato com a fotografia por meio do Instagram. “Lembro quando uma amiga me chamou para usar o aplicativo. Nessa época, eu ainda não tinha o costume de tirar fotos, mas foi daí que eu comecei a usar. No final do ensino médio, eu já estava comprando minha primeira câmera amadora. Comecei fazendo fotos dos meus amigos e alguns ensaios na minha casa mesmo, mas ali eu já tentava criar narrativas”, explica Pedro. 

Depois de optar pelo ensino superior do Senac, durante as aulas remotas, Pedro desenvolveu o vídeo Agulhas, no qual o estudante mostra por meio de 50 ou 60 fotos uma série de agulhas perfurando um lírio como uma maneira de representar o que pequenos traumas e problemas podem causar em uma pessoa levando-a a sucumbir. Ao fundo é possível ouvir uma poesia escrita e narrada por ele. “O vídeo mostra uma experiência pessoal que eu vivi em 2019, mas acredito que ter feito durante a pandemia o torna ainda mais sensível e atual, pois apesar de não ter sido idealizado diretamente com o momento que estamos vivendo, aborda a solidão e o isolamento, que são questões muito candentes hoje em dia e acabaram aumentando nos últimos meses. Além disso, fui muito motivado pelos meus professores em inscrevê-lo no festival Pequeno Encontro da Fotografia”, explica Pedro. 

Professores que fazem a diferença antes, durante e depois 

Apesar de já terem concluído alguns cursos no Senac Lapa Scipião, como o Produção Cultural e o Técnico em Teatro, Jean Salustiano, Weslley Nascimento e Bruna Vilaça contam como os docentes foram essenciais para o sucesso de seus projetos, inclusive o curta Homem-Ilha, desenvolvido durante a pandemia, contemplado pelo edital Curta em Casa e selecionado pelo festival indiano, Malhaar International Film . 

Bruna e Weslley são categóricos ao falar da importância do Senac e de seus docentes em suas vidas. “Foi um divisor de águas”, conta Bruna. “Existe um Weslley antes dessa formação e um depois”, fala Weslley. 

“Tivemos contato com profissionais excepcionais como as atrizes Marisa Bicudo e Lilian Domingos, assim como o Vitor Freire, que me fizeram entender os mecanismos de como seria trabalhar com arte, e é incrível como até hoje eles são próximos, pois vão nos assistir, falam que sentem orgulho, estão dispostos a ajudar e são para mim, minhas principais referências artísticas”, conta Weslley. 

Já Jean, explica que num primeiro momento, a pandemia foi algo assustador para a categoria artística, muitos contratos foram cancelados e os espetáculos interrompidos. Até que com o tempo começaram a publicar novos editais, assim como a Lei Aldir Blanc, que acabaram ajudando bastante. “A pandemia também proporcionou uma outra visão de possibilidade de campo de atuação, de trabalho e coisas além do que a gente fazia. Precisamos adaptar as linguagens, pois os trabalhos em desenvolvimento eram presenciais, então acabou pedindo algo mais audiovisual. E foi assim que surgiu a ideia do Homem-Ilha, um homem ilhado em casa e sem internet, ou seja, em partes narramos a nossa própria situação. Desenvolvido remotamente, o curta exigiu muito do nosso emocional, físico e psicológico, pois colocou à prova todo o nosso potencial criativo, assim como tudo o que seguimos aprendendo com os nossos docentes”, conclui Jean. 

O gerente do Senac Lapa Scipião, Wilson Krette Junior, explica que os estudantes são estimulados a vivenciar o mercado desde o início dos cursos. “Nosso projeto político pedagógico propõe o rompimento dessa territorialidade escolar e motiva a ir além, por meio da participação em atividades da cena artística e de todas as ações culturais mundo afora, pois desta maneira possibilitamos tanto a colocação profissional como o reconhecimento do protagonismo gerador de inovação na economia criativa, mesmo que estejam durante o processo formativo”. 

Confira nos links abaixo todos os projetos mencionados no texto: 

Rumo, de Camila Brandão: 

Agulhas, de Pedro Abílio: https://pedroabilio.46graus.com/videos/agulhas/

Homem-Ilha, de Weslley Nascimento, Jean Salustiano e Bruna Vilaça (teaser): https://www.facebook.com/1513866505591388/videos/577179489648320